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PODER E DINHEIRO NOS CAMINHOS DA EVOLUÇÃO HUMANA Os seres humanos receberam o direito de existir no Planeta
Terra para evoluírem conscientemente. Era seu dever construir um mundo de
paz e alegria, contribuindo para o embelezamento geral. Contudo, com o seu
desejo de poder e domínio acabou inventando o dinheiro, escravizando-se a ele,
esquecendo-se de sua missão primordial. Há 10 mil anos os habitantes da Atlântida
não faziam uso de dinheiro muito embora houvesse troca de mercadorias vindas
por via marítima. Desde então a economia mundial passou por muitas transformações
até chegarmos ao atual estágio de predomínio do dinheiro através da "financeirização"
de todas as atividades humanas, tendo o dinheiro atingido a expressão do grande
poder terreno. Antes da tragédia que se abateu sobre a Atlântida, alguns
atlantes alcançaram o vale entre os rios Tigre e Eufrates, dando origem aos Sumérios. Nessa região, mais tarde chamada de Babilônia,
começou a surgir o uso de metais preciosos em troca de mercadorias e serviços.
Ouro e prata em pedaços que entre outras denominações, também eram
conhecidos como "talentos". Os seres humanos se deixaram dominar pela entorpecedora febre
do ouro. Embrutecidos não vacilaram em torturar, mentir e matar se preciso
fosse para satisfazer a sua cobiça, sendo um dos mais hediondos capítulos da
história humana a rapina do ouro do Império Inca.
A pilhagem foi de tal montante que da Espanha surgiu uma inflação que se
espalhou pela Europa. Assim durante muito tempo esteve em uso o dinheiro metálico,
até que no século 17 os americanos deram um passo a frente criando o papel
moeda emitido pelo governo, representativo de teor metálico. No transcurso da história o papel moeda foi sofrendo
profundas alterações, tendo a sua fase inicial se caracterizado por muita
instabilidade, sujeitando-se a constantes desvalorizações pela excessiva emissão
geralmente motivada por ganância e abuso de poder. Em síntese o papel moeda criou uma nova forma de riqueza
abstrata fundamentada nos ganhos a serem realizados, o que criava uma elástica
possibilidade de sua emissão. O papel moeda foi concebido como um símbolo representativo
de uma riqueza metálica, ouro ou prata, numa certa quantidade fixa, mas muitos
banqueiros não respeitavam o limite de suas reservas, colocando muito papel sem
cobertura, para logo depois falirem, deixando um rastro de desolação e miséria. Ou então, a excessiva emissão de governantes acarretava a
inevitável desvalorização do papel. Após a 2ª Guerra Mundial, e sob o comando do dólar,
foi estabelecido o sistema conhecido como Breton Woods. Conforme acordo assinado
em 1946, uma onça de ouro equivalia a 35 dólares, e, nessa paridade, a maioria
das moedas foram atreladas ao dólar americano que ganhou o status de moeda
mundial. Assim, qualquer dinheiro poderia ser convertido em dólares e resgatado
em ouro, o que foi mantido até 1971, quando o Governo Norte Americano,
pressionado pela inflação e pelas necessidades financeiras, rompeu
unilateralmente o acordo. Atualmente a onça de ouro é cotada em
aproximadamente 500 dólares, mas que poderá ir muito além se houver uma crise
de confiança nas moedas. São 182 moedas que flutuam sem regras nem controles,
ao sabor de interesses imediatistas, o que atrai o capital volátil especulativo
como enxame de mosquitos. Sem paridades fixas nem disciplina governamental, o dinheiro
no século 20 apresentou continuada depreciação em seu valor. O poder dos
governantes foi sendo consideravelmente aumentado em função do novo poder econômico
que detinham através do monopólio da emissão de dinheiro e da contratação
de empréstimos sem limites. Muitas fortunas se formaram rapidamente a partir do nada,
apenas através da astúcia e artimanhas propiciadas pelo novo dinheiro. Não
demorou muito para o dinheiro apresentar a propriedade de fazer dinheiro. A
economia real da produção e comercialização de bens e serviços foi sendo
separada da nova economia monetária e financeira, e os economistas do dinheiro
ficaram mais famosos que os economistas da produção, não só isso, mais
endinheirados também. Acumulação e concentração passaram a ser a tendência
natural de um sistema bem articulado pela aglutinação e mobilidade dos
capitais que passaram a procurar ao redor do mundo as melhores oportunidades de
ganhos fáceis e segurança. Assim, toda a atividade humana passou a girar em torno do
dinheiro. A economia deixou de ser a ciência da mais eficiente utilização dos
recursos escassos em prol do bem estar geral, para se tornar a tecnologia de
eficiente administração do dinheiro tendo em vista a maximização dos
resultados, a sua continua acumulação embora de forma virtual, alcançando
enorme poder, porque com o dinheiro tudo passou a ser comprado, tornando-se o próprio
dinheiro a mercadoria mais importante para os seres humanos, e com o seu frenético
apego, acabou desvalorizando a própria vida, esquecendo que a verdadeira
riqueza está no ar limpo que respiramos, na água pura que mata a sede e nas
condições ambientais que asseguram a continuidade da vida. Considerável parcela da acumulação financeira surgiu em
decorrência de ataques monetários e negociatas cambiais. A substância que
alimenta a virtualidade da riqueza financeira vem em parte dos juros relativos a
empréstimos para Estados, e em parte das superavaliações de títulos e papéis
negociados em Bolsas que têm apresentado continuada tendência de alta sem que
se saiba exatamente como isso vai terminar. Com o surgimento da grande acumulação financeira privada,
os governantes que haviam adquirido enorme poder acabaram sendo desbancados de
sua privilegiada posição, pois com os abusos acabaram ficando presos a déficits
fiscais, isto é, tornaram-se devedores por falta de uma sadia administração
das finanças, o que os obrigou a se subordinarem aos programas financeiros econômicos
determinados pelos organismos internacionais como o FMI e o Bird (Banco
Mundial), programas esses voltados essencialmente para os aspectos monetários. O dinheiro passou a ser o grande trunfo, e é em função
dele que se organizou a vida, passando para plano secundário o aprimoramento de
tudo, seja na alimentação ou no lazer e na cultura, para possibilitar o
surgimento do verdadeiro ser humano, sadio de corpo e alma. Durante muito tempo a Libra Esterlina foi a moeda. Na
atualidade domina o dólar americano, amplamente aceito como o dinheiro mundial.
O Iene japonês ensaiou por várias vezes uma posição de maior destaque, mas
apesar da enorme capacidade de produção voltada para a exportação, o Japão
não conseguiu evitar que as crises cambiais e financeiras impedissem que a sua
moeda assumisse uma posição de liderança mundial e os privilégios disso
decorrentes. O marco alemão obteve um grande fortalecimento no pós
guerra, preparando o terreno para a criação do Euro, a moeda unificada da
Europa, que com o tempo poderá fazer contrapeso ao dólar. Mas o mercado
cambial é dominado por grande volatilidade, e até agora, o dólar americano
tem se imposto como o grande líder. O monetarismo introduziu a teoria de que com a política de
juros se resolve tudo. Mas os juros interferem principalmente na valorização
das moedas dando o tom da economia, aquecida ou recessiva, sem que se
conseguisse solucionar os problemas de uma existência humana condigna. Nos países do Terceiro Mundo a elevação dos juros trouxe
recessão e miséria. O Japão, mesmo oferecendo taxas nulas de juros, tem a sua
moeda supervalorizada em relação ao dólar o que constringe os exportadores e
a economia. Já o ciclo de desvalorizações asiáticas ofereceram aos norte
americanos muitas mercadorias a preços convidativos. Pairam muitas incertezas
quanto às conseqüências de uma eventual desvalorização da moeda chinesa,
tornando suas mercadorias mais competitivas do que já são. O dólar americano apresenta-se valorizado em relação ao
Euro, visto que os juros do FED, estão em 5,5%, enquanto a Europa os mantém em
3% a.a., mas são fortes os rumores de que tendem a ser elevados vista a grande
preocupação do FED em reverter a alta nos preços das ações consideradas por
muitos especialista supervalorizadas em mais de 40%. Essa situação de euforia
poderá acarretar um generalizado pânico se a bolha perder a sua sustentação. Mas isso tudo faz parte de um jogo altamente complexo, onde o
que se joga é o poder econômico e financeiro mundial, com movimentação diária
de mais de 1 trilhão de dólares nas mesas de câmbio. O Terceiro Mundo, no qual se inclui o Brasil, é totalmente
dependente, e sem a utilização de empréstimos internos e externos, não
consegue fechar as suas contas. Assim, num mundo onde ocorre excessiva liquidez financeira,
também convive extraordinária miséria e subconsumo de bens essenciais, não
raro associados a um padrão de administração pública pouco confiável na
utilização das verbas, e dócil às pressões dos interesses externos. Acresce ainda que o que é bom para o dinheiro e seus
detentores, nem sempre coincide com o que é bom para o desenvolvimento humano
dos povos. O fato é que o século 20 assinalou o grande deslocamento do
poder que no passado esteve centrado na posse da terra e no poder religioso e
sua influência sobre as atividades financeiras, o que gerou fortes
antagonismos. Os capitães da indústria também tiveram o seu peso, mas hoje o
dinheiro domina o mundo livre de qualquer interferência que não sejam os próprios
interesses do dinheiro e de seus detentores, não se levando em consideração
de que forma as decisões atuarão sobre a população. O dinheiro é o poder, mas esse poder pode escapar do
controle humano face a sua concentração, mobilidade e volatilidade, mormente
nesta época em que, através de uma pressão até então desconhecida, os
efeitos recíprocos se aceleram irresistivelmente através da eclosão de tragédias
e catástrofes naturais que atemorizam e interferem nos mais detalhados
planejamentos estratégicos, até agora sempre conduzidos com firmeza e segurança
pelo intelecto humano. O ser humano escravizou-se ao dinheiro perdendo o sentido da
vida, confinando-se nos restritos limites dos valores econômicos, acumulando-os
egoisticamente, esquecendo-se que também é sua obrigação zelar pelo Planeta,
o seu lar na matéria. Contudo isso não significa que as pessoas devam abominar a
riqueza, mas sim fazer dela a correta utilização: "A pessoa que não acumula inutilmente suas riquezas,
para com elas granjear prazeres para si própria, mas as utiliza de modo
acertado e as aplica no sentido certo, transformando-as em bênçãos de muitos,
é muito mais valiosa e mais elevada do que aquela que dá de presente todas
elas! É muito maior e beneficia a Criação!
Tal homem consegue, mediante sua riqueza, dar trabalho a
milhares durante toda a existência terrena e lhes proporciona assim a consciência
do sustento pelo próprio ganho, o que atua fortalecendo e beneficiando sobre o
espírito e sobre o corpo! Só que aí deve permanecer, como algo evidente, uma
disposição certa entre trabalho e repouso, bem como deve ser dada a recompensa
correta a cada trabalho prestado, devendo prevalecer aí um equilíbrio
severamente justo!
Isso mantém movimento na Criação, que é indispensável ao
saneamento e à harmonia. Um presentear unilateral, porém, sem exigir retribuição,
só traz, de acordo com as leis da Criação, paralisações e distúrbios,
conforme se evidencia em tudo, inclusive no corpo terreno, onde, devido à falta
de movimentação, se originam o engrossamento e a estagnação do sangue,
porque somente o movimento faz o sangue correr mais livremente e mais puro através
das veias."(*) As páginas que se seguem traduzem as observações da
realidade dissociadas de uma visão social estatista ou mercadista, pois o que
importa de fato é a evolução do ser humano, pois é para isso que ele habita
o Planeta. Fica evidente um enfoque bem Brasil, esta terra dadivosa que não
vive mais do lado da felicidade da vida, "pois aqui também os caminhos
dos seres humanos, com poucas exceções, não mais conduzem ao encontro da
Luz". À medida em que elas forem sendo examinadas, vão surgindo
imagens da trágica realidade. A humanidade não foi capaz de conduzir a vida
para uma sadia evolução, superpovoando o Planeta de criaturas incultas e
doentes de corpo e alma, esparramando miséria, sofrimento, caos e feiura por
todos os recantos, esquecendo-se que a natureza é o grande patrimônio do Lar
que deve ser respeitado para que possa assegurar a sobrevivência das gerações
futuras. Diante do vazio, o próprio ser humano tornou-se de pouco
valor e de fácil reposição, não dispondo de tempo nem discernimento para
introspecção. Entender a vida em toda a sua amplitude, mormente em nossos dias
atribulados é tarefa dificílima, impossível mesmo se não tivesse chegado ao
alcance dos seres humanos que procuram "A
MENSAGEM DO GRAAL, NA LUZ DA VERDADE, de ABDRUSCHIN". "O enteal atua e tece com fidelidade no lar da grande
Criação, enquanto o espiritual deve ser considerado nela como hóspede
peregrino, que tem a obrigação de adaptar-se harmoniosamente à ordem do
grande lar, apoiando beneficiadoramente como melhor puder o atuar do enteal.
Deve, pois, colaborar na conservação da grande obra que lhe oferece morada, pátria
e possibilidade de existência. Considerando corretamente, deveis imaginar assim: o elevado
enteal soltou de si o espírito, ou deu-o à Luz, e lhe oferece no seu grande
lar da Criação a possibilidade de uma existência cheia de alegria! Pressuposto, naturalmente, que tal espírito não perturbe a
harmonia da casa, pois em tal hipótese torna-se um hóspede malvisto, sendo
tratado correspondentemente. Nunca poderá então receber e usufruir uma
verdadeira existência cheia de alegria. O hóspede tem logicamente, também o dever de não estorvar
a organização do lar, mas sim de adaptar-se à ordem vigente e até mesmo de
apoiá-la e de protegê-la, como retribuição pela hospitalidade." (*) Mas agora tudo virou negócio e tudo está à venda. A febre
do ouro transformou-se na febre do dinheiro cobiçado como finalidade principal
da vida humana, ficando tudo o mais relegado para plano secundário. No íntimo
o vazio da alma que chora pela falta do pão espiritual, a verdade que fortalece
e ilumina a vida. (*) trecho extraído do livro NA
LUZ DA VERDADE Editado pela Ordem
do Graal na Terra BENEDICTO ISMAEL CAMARGO DUTRA
Formado em Administração de Empresas FEA/USP
Colaborador do Jornal DCI-SP
Dezembro 1999